El Cielo sobre Bogotá

•Outubro 13, 2014 • Deixe um Comentário

Na praça Bolívar, centro nevrálgico da cidade – aquela que já foi centro de muitas outras atenções menos felizes -, há de tudo, sobretudo para passantes e alguns turistas: lamas e póneis para fotografias e dar uma voltinha; barraquinhas e vendedores ambulantes; milho para as pombas e açúcares para os petizes; até fotógrafos digitais há! Munidos de suas câmaras, de impressora a tira colo, fazem o serviço na hora: fotos de família, com bonitos edifícios de fundo, para mais tarde recordar. Afinal somos todos iguais!

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Este centro histórico tem mais para dar. As ruas estreitas acolhem um edificado colonial bem preservado e com bastante graça e cor: as combinações quentes e alegres são de encher o olho! É uma zona pequena mas densa de pontos de interesse e pessoas. Talvez demasiadas pessoas em domingos e feriados.

Se há um museu que não podes perder, é o do Ouro – que seja! Ainda para mais ao domingos é grátis 😉
Malgrado a cortesia da oferenda que apinhou as salas bem organizadas. É uma viagem através do (vil) metal dourado, com algumas surpresas pelo caminho. Um espaço muito interessante. A visita clarificou o destaque que este Museu tem em qualquer guia de visita a Bogotá, por mais curta que seja.

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Pelo oposto, a subida a Monserrate deixa as mais singelas expetativas frustadas. Salva-se a vista sobre o imenso planalto onde Bogota estende os seus tentáculos. Versão impressionante, sem dúvida, da amplitude que os mais de 3.200 metros permite. Quanto ao mais, é melhor apagar da memória – talvez, um dia, falemos sobre os tortuosos caminhos do negócio da fé…

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E porque falamos de fé, de criação, logo de criatividade e de arte, fica uma referência a uma que é um espetáculo nas ruas da cidade: os grafites. Está sim, uma verdadeira inspiração reveladora de uma cultura irreverente, vibrante e popular.

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Bogotá #1

•Outubro 12, 2014 • Deixe um Comentário

5:35, o dia acordou cedo. São as boas graças de um corpo habituado ao fuso europeu – o jet lag é vantajoso neste sentido. Estreei o pequeno almoço e uma saborosa fruta começou a despertar-me o apetite sul-americano.
Um passeio pela manhã ainda fresca foi a melhor opção. Tomei a “ciclovia” para me familiarizar com uma espantosa iniciativa. Aos domingos e feriados, um conjunto de artérias da cidade são libertadas da enorme pressão automobilística e dedicadas aos cidadãos, que não se fazem rogados: são milhares aqueles que de bicicleta, a correr, em passo acelerado ou em simples passeio, gozam desta “paz” urbana.

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São já 9:30h e como a promessa de chuva não se cumpre, os grupos avolumam-se. Ora equipados a rigor da cabeça aos pés, alinhados pelo mesmo tom, ora em pura descontração dominical, acertam passo em amena cavaqueira e ritmo mais lento, ou em compenetrado silêncio técnico cadenciado pela pedaleira. Todos se aplicam nesta iniciativa. Todos se alegram.
Aqui e ali aparecem os muitos apoios – para as máquinas e os homens. Fruta fresca e sumos naturais para estes, tendas de reparação, onde não faltam peças e ferramentas, para aquelas.
A polícia garante uma certa ordem e voluntários assinalam as passagens mais perigosas, sobretudo em cruzamentos com carros. Tudo parece rolar com uma tranquilidade habitual.

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Quando começo a abraçar o centro, a paisagem muda, entrando num ritmo que recebe edifícios mais estilo colonial contrabalançados com aqueles que se estendem em modernas linhas.
São 10:30 e o sol espreita pelas nuvens. É hora de provar um café colombiano e um pastel para recompor energias.

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What else?

•Junho 10, 2013 • 1 Comentário

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Que diabo, por que abandonamos o hábito do café? Não da bebida, mas do local – do encontro no mesmo espaço de convívio. De ir ao café.
Parece que envergonhados, consumimos a bebida no recato do lar – nada contra; mas, o que é feito do encontro? Da happy hour depois do trabalho?
Quebrar a rotina criando o hábito de estar com os amigos no lugar do costume. Que diabo! Agora, para estar com amigos tenho que marcar: hora e local. É difícil encontrar alguém por acaso – porém, tão reconfortante.
Que vida maldita é esta? Temos o clima, o cenário, os locais e os motivos. O que falta? A que páginas do progresso perdemos este hábito?

Gosto dos cafés desta cidade. Quase sempre servidos em esplanadas, em bom ambiente e boa onda. Entre uma cerveja e um copo de vinho, uma miriade de propostas.
Talvez tenhamos apartamentos grandes demais que nos sequestram em casa.
Também gosto desta praça onde alinho estas frases: ao som de uma sombra reconfortante serve simpatia e delicadeza. Alimenta-me a alma.
Já vos disse que esta cidade encanta?

As horas pardas

•Junho 8, 2013 • Deixe um Comentário

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Fecho os olhos contra o sol.
– Haverá algo mais intenso do que um raio de sol que nos abraça como quem beija?
O vento suave brinca nos parques verdejantes, onde as sombras são ocupadas, ora por alegres mantas que brindam entre conversas amigas, ora por tímidos capítulos que se revelam nas voltas das páginas. É um final de tarde encantador.
Esqueçam os museus e os monumentos. Os passeios e as compras que esperem. Mantenham em suspenso o cenário. Junho chega vibrante e a ode da primavera merece ser celebrada ao ar livre.

O pano da semana vai caindo numa doce luz dourada, prometendo outras aventuras. Deixemos os compromisso e demais afazeres. O momento sobrepõe-se.

– Encontramo-nos junto ao lago – aquele perto dos gelados de cereja e chocolate negro?
Sem pressa, sem culpa vamos saudar o fim‑de‑semana que se avizinha. Engano. Vamos estar aqui, tão só. Desfrutar a conversa. Fazer a vida acontecer neste instante. Fechar os olhos juntos, entre palavras cúmplices ao sabor do vento. A leveza de existir.
Que abrande o mundo enquanto esta brisa sossega os vinte e muitos graus e o meu corpo rejuvenesce na tranquilidade das águas espelhadas de azul céu. Quase adormeço embalado em nacos de Babel mesclados de diálogos imperceptíveis que me são servidos pelos passantes.
– Encontrarão o que procuram? Terão espaço para o encontro?

Dizem que esta cidade é mágica. – Será? Pelo menos as horas pardas vêm plenas da surpresa dos pequenos instantes…

Nunca viajamos apenas uma vez

•Junho 7, 2013 • Deixe um Comentário

Quero começar a escrever hoje, quando a primeira das viagens se completa. Acomodar as trouxas na mala é como ligar a ponte entre a primeira e a segunda viagem.
Nunca viajamos apenas uma vez. Primeiro, vem a descoberta remota, mediada e partilhada, revelada tanto em pequenos gestos quanto em rituais cíclicos. Neste sentido, mentes despertas nunca param de viajar: buscam novos destinos constantemente; alimentam-se de procura e de partilha – de tempos distintos e caminhos paralelos; de pessoas incomparáveis com histórias curiosas para descobrir. Move-nos a descoberta? A partilha? A vontade de explorar ou o desejo de não estar só? De compreender o diferente ou a curiosidade do exótico? De ser capaz de ousar uma nova perspetiva afastando-nos da cómoda zona de conforto?

Paulatinamente, às notícias somam-se as histórias – o que é a vida senão uma bela narrativa? -, aos destinos juntam-se os portos: de embarque e de abrigo; os sonhos vão ganhando a nitidez das cores impressas.
É por isso que a viagem começa muito antes de embarcarmos, de linearmente partirmos. O mais delicioso é que, tantas vezes, começa sem que notemos. Uma semente que vai germinando, que vai ganhando raízes nos solos férteis da imaginação e se fortifica no desejo de abraçar a humanidade. É como uma carícia tão suave na epiderme e profunda na alma…

Sinto a brisa chegar. Até já!

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“Sex, Fun & Love”

•Maio 26, 2013 • 1 Comentário
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Barcelona, MAI13. Deambulando pelo Bairro Gótico.

 

É preciso algum tempo. Não muito, nem pouco. Apenas o tempo certo – como tudo o que vale a pena na vida. Descobrir uma cidade, das maiores às mais singelas, requer a disponibilidade para nos deixarmos encantar. Respirar pausadamente, tendo os sentidos alerta: para escutar as suas histórias; sentir os seus recantos; perceber algumas das suas personagens.

 

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Barcelona, MAI13. O encanto da descoberta dos recantos da cidade…

 

Primeiro, vamos à procura. Vagueando, com destino mais certo ou incerto, em busca de algo. Tantas vezes de algo familiar: que já ouvimos falar, que já foi visto por outros, ou que até já tenha sido imortalizado nalgumas linhas famosas. Quase sempre, a primeira aproximação é, portanto, guiada, mediada, filtrada. Nada de grave. Os bons conselhos são para serem levados em conta.

Com o tempo, depois da primeira paixão, do pulsar veloz e do ritmo acelerado; depois mesmo dos arrufos iniciais e até de algumas birras; algum tempo depois – quanto não importa, apenas que aconteça – vem o encanto. Mais forte e mais intenso, talvez mais maduro. Seguramente mais simples. Simplesmente belo. Começamos a sentir o pulsar da vida; a perceber as ligações; a percepcionar uma energética magia; a ir ao encontro do inexplicável.

 

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Barcelona, MAI13. Dar espaço para que o inesperado aconteça: com paciência, a descoberta pode conduzir-nos a felizes encontros 🙂

 

Parece que ganhamos uma nova casa, ou que ampliamos a nossa. Como se por uma passo de magia ali tivéssemos sempre vivido. Como se aquela história fosse parte  das nossas personagens, do enredo dos nossos capítulos.

A verdade é que aos poucos – o tempo é cada vez menos importante – começamos a sentir a atmosfera particular daquela cidade. A construir um imaginário coletivo. Está feita a amizade! De tempos a tempos, em cada regresso, voltamos a casa para partilhar emoções, para celebrar o tempo comum.

Quanto tempo dura? Não sei. Pelo menos tanto quanto a capacidade de nos continuarmos a encantar. E pode muito bem ser todo o tempo do Mundo…

 

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Barcelona, MAI13. “Sex, Fun & Love: hazlo por la mañana!” – por que não?!

Montesinhos

•Fevereiro 10, 2013 • 4 comentários

O jovem Luís diz, com propriedade, que Portugal tem quatro cantos e Bragança está encostada no único que não tem mar. Curiosa reflexão do “jovem Cousteau” que revela o isolamento das terras transmontanas, de paisagens emocionantes e gentes rijas.

Ontem foi dia de barriga cheia. Longa e tranquila conversa com o amigo António. Falámos da vida e de fotografia, de estética e emoções, de desafios e projetos. Amena cavaqueira, tão interessante quanto desafiante – é assim que se vai aprofundando e evoluindo.

Hoje, a previsão de neve só deu em chuva até agora, mas nem tudo é mau. Uma certa neblina e o frio permitem uma atmosfera especial à aldeia de Montesinho, em pleno Parque Natural. No café central, alheira e chouriço caseiros saltam para as brasas vivas da lareira e vão sendo embalados pelas mesmas mãos que não há muito tempo os fizeram. Há pão e presunto rudemente cortado, como convém. O João junta simpatia e educação a um copo de tinto da casa e a coisa mais do que se compõe. Uma dúzia de turistas franceses e brasileiros lambuza-se com as iguarias. Nota-se que a simpatia destas gentes contaminou a alegria que levam na face – uma vez mais o nosso ativo mais preciso funcionou!

Não vale a pena desenhar grandes modelos ou imaginar estratégias muito complexas. Keep it simple. A identidade – aquilo que nos faz ser o que somos e que nos torna únicos – é que trará o tão almejado desenvolvimento. Com boas doses de criatividade, é certo. Mas sempre partindo das raízes, não daquilo que parece ser sucesso fácil pronto a consumir. Para rematar há licor de mel, de menta e de amora: “todos de cá!”, dizem com orgulho. Já só falta saber o que queremos ser.
Entretanto, vou fazer umas chapas – pode ser que os caretos de Podence me refresquem a cor 😉

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